Beleza feminina e a religião

Para quem me conhece há mais tempo, sabe que a minha mãe sempre foi muito vaidosa. Desde cedo ela nos ensinou a importância de nos cuidar, nos sentirmos bonitas e confiantes.

Então, eu e minha irmã crescemos sabendo escolher aquilo que iríamos fazer, desde tratamentos estéticos até o que vestir.

Somado à isso, roupas nunca foram questionadas e até meus 25, 26 anos nunca havia parado para pensar em como ela influenciava a minha personalidade.

Aliás, essa é um questão que acredito até hoje. A forma como nos cuidamos e nos apresentamos é exatamente aquilo que reflete de dentro de nós.

E não, esse post não é para causar polêmica ou julgar quem não pensa dessa forma. Ele é apenas a resposta do que sou hoje e de todas as vezes que alguém brincou: lá vai a irmã com sua saia arrastando no chão.

Mas voltemos ao que interessa. Durante um bom tempo eu queria me firmar como mulher. Não uma mulher qualquer mas alguém que arrancasse suspiros sabe.

Por isso, não enxergava mal usar roupas bem justas, curtas e decotadas. Enfim, que chamasse a atenção para o meu corpo.

Aliás, uma coisa é fato. O corpo da mulher é algo incrível. São formas bem desenhadas, cada qual com a sua característica particular. E ele chama atenção independente da roupa que você usa.

E assim foi durante anos. Investia um bom tempo e dinheiro para me adequar aos padrões e me achar bonita, ao ponto de esquecer quem eu era, para ser apenas um corpo.

Na verdade um objeto de desejo. Sabendo, lá no fundo, que a maior prejudicada era eu mesma.

Até que um dia eu virei a página. Sim, tudo o que eu penso e falo hoje só existe porque vive meu encontro com Deus, uma conversão.

Óbvio que não foi da noite para o dia. E quem convive comigo há mais tempo pode falar sobre isso.

Foi um passo de cada vez. Começou quando me senti incomodada com os olhares e com o que eu ouvia por aí.

Passei a entender que a beleza me fazia mal, ao partir do ponto que eu trazia a intenção de ter um corpo trabalhado e exposto, para responder ao desejo sexual do outro.

Eu era escrava dessa situação, que é totalmente imposta pela sociedade, e quando acordei passei a me olhar como alguém que tem valor.

Conheci o sentido da sacralidade e passei a me olhar como imagem e semelhança de Deus. Só a partir desse pensamento parei de ferir a minha própria dignidade.

Entretanto, como disse ali para cima. Essa mudança não é fácil, em especial porque temos inúmeros estímulos no mundo atual que caminham totalmente para o contrário.

Lembro que, nesse processo de mudança eu já estava no caminho de namoro. E as roupas curtas e chamativas eram pautas constantes nas nossas conversas.

Sim, a visão masculina do Diogo foi extremamente importante para abrir os meus olhos e dar mais valor à mim mesma.

Nesse trajeto mudei radicalmente. Passei a usar roupas longas e largas. Não usava mais acessórios e quase nada de maquiagem. Confesso que fazia umas combinações bem estranhas 🤷🏾‍♀️

Todavia, um processo de mudança exige autoconhecimento e eu ainda não havia adentrado a minha própria intimidade.

Fui de um extremo ao outro. Comecei a me sentir feia, uma mulher que escondia a beleza feminina. Passei a ler e estudar mais sobre os pensamentos da Igreja sobre a mulher e seu comportamento.

Li sobre modéstia, castidade, beleza feminina e mais um monte de coisas.

Me deparei com inúmeros exageros que cometemos nessa loucura de nos encontrar.

Vi que ser cristã não é sinônimo de ser brega, ao contrário, temos o dever de exaltar a beleza de Deus.

A partir de então, fui encontrando o meu caminho, sem exageros e passei a me valorizar mais. Cuidar da aparência e da autoestima, mas não fazer do meu corpo um objeto de desejo para os outros.

LRM_EXPORT_7939244698936_20190306_225456085

{Laço no cabelo, saia e tênis = nova eu}

Quando melhoramos a nossa autoestima, paramos de nos sentir obrigadas a nos moldar para ser amada  aceita ou para ser vista e reconhecida.

Encontramos o nosso valor na nossa própria existência.

Eu finalmente havia me encontrado, sabia o que eu gostava, me deixava bonita e confortável.

Me vestir tornou-se algo simples e o gosto pelo belo foi surgindo aos poucos.

Aliás, a maior mudança não foi nas roupas e sim no cabelo!

Falo mais sobre esse período nesse texto aqui: Um pesadelo chamado transição capilar.

Mas voltando, nesse processo todo entendi que estar bonita é um ato de caridade ao próximo.

A beleza é algo que transborda de dentro para fora. Aliás, você pode perceber que quando estamos felizes a tendência é caprichar no look, comer de forma mais saudável e se exercitar.

Já se estamos num bad day, vestimos algo mais apagadinho, comemos qualquer coisa e  só queremos a nossa cama.

Super natural, uma vez que somos feitos de sentimentos. No entanto, o que eu quero que você entenda é que você é mais do que um corpo caminhando por aí.

Você é templo do Espírito Santo. Lugar onde Deus habita. Isso não é qualquer coisa. Por isso, temos que nos olhar, entender a forma que queremos deixar a casa de Deus e dar o próximo passo.

Você é única (e único também viu meninos). Sua beleza é única, é joia rara.

E antes de concluir, deixo aqui duas dicas muito importantes:

1- Revele sua beleza apenas para quem merece e na hora certa. Parece loucura, mas para e pensa em quantas vezes você deixou a sua intimidade exposta e depois, sozinha, se sentiu mal. Suja.
Isso gera feridas que demoram para cicatrizar. Por isso cuide do que é seu.

2 – Deixe exalar a beleza que Deus lhe deu. Encontra-se e se posicione como uma linda pessoa de Deus.
A mulher de valor, quem a encontrará? Ela é mais preciosa do que as jóias […] proporciona sempre alegria, nunca desgosto” (Pv 31,10-12).

P.S. Fique em casa, mas fique bonita!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s