Meu parto, minhas regras

Escrevi com o coração, se prepara para o textão!

“Se alguém te disse que você poderia ter um dos momentos mais transcendentais fisicamente, emocionalmente e espiritualmente da sua vida e aqui está o mapa para chegar lá, você realmente diria não?” (Elizabeth Davis)

Parir é exatamente isso! Passado os famosos e longos 40 dias resolvi falar sobre o parto. Durante todo esse tempo fiquei pensando em como traduzir esse momento, que é realmente único, com todo o sentido que a palavra traz.

Espero de coração que você leia esse texto até o fim. E sim, vai ser textão porque a minha alma está nele.

Minha vontade era ter escrito logo que pari. Mas na primeira semana a sensação que eu tinha era de ter feito uma péssima escolha. Apesar de ter voltado para casa andando e me sentindo super bem fisicamente, toda vez que alguém que perguntava: “E aí me conta do parto”. Eu só conseguia pensar doeu pra burro!

No entanto, como tudo na vida, nada como um dia após o outro. E como um toque de mágica, em questão de dias minha mente mudou completamente e internamente eu gritava: se engravidar de novo eu quero normal. Claro que mudaria algumas coisas, você vai entender o que no decorrer do texto.

Escolha do parto

Minha mãe teve dois partos de cesária. Dias e horários agendados, maquiada e bem animada. Preparou cada detalhe para receber as filhas. Como ela era a minha referência de maternidade, durante um tempo eu também desejei a aparente praticidade da cesária. Mas a gente cresce, conhece outros mundos e outras verdades e aos poucos a vontade de parir de forma natural nasceu em mim e assim se fez até o nascimento do Benjamin. Desejei parto normal mais do que tudo. Eu pesquisei, conversei, ensaiei posições, escolhi as músicas para tocar. Sonhei!

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Tive a graça de contar com um médico super a favor do parto normal, que me incentivou e me instruiu em casa detalhe. Porém para o meu desespero, Benjamin virou só quando eu estava de 36 semanas.

Sei que existe possibilidades de parir com a criança estando “sentada”, mas essa não era a conduta do meu médico. Então haja novena, oração e exercícios para esse bacuri virar (obrigada doula querida Aninha do Doulas Amparo Do Nascer que me ajudou muito nessa questão).

Meu marido, Diogo, também me apoiou nessa decisão. O que é exageradamente importante para a gestante. Enquanto tanta gente me falava que era loucura, que eu não ia dar conta, que isso é aquilo. Ele fazia surgir em mim uma confiança única.

Estava posto! Eu ia tentar normal até que fosse extremamente necessário uma cesária. Só ia parir quando a criança quisesse nascer e fim.

Escolha da maternidade

Meu médico me apresentou três maternidades que atendiam o SUS. Você vai entender esse rolo já já.

Uma delas eu não queria de jeito nenhum, pois havia sido mal atendida duas vezes pela mesma médica quando precisei passar pela emergência. Deus que me perdoe, mas não queria que ela trouxesse meu filho ao mundo! Tive medo!

Porém, para a minha alegria, meu convênio ainda não iria cobrir o parto e eu seria encaminhada pelo SUS.

Meu médico falou de um hospital escola que incentivava o parto normal. Hospital Electro Bonini, o famoso Hospital da Unaerp. Mas O ponto de atenção é: eles pegam apenas gestantes de baixo risco por conta da estrutura.

Lá vai a Pâmela correr para o posto de saúde e tentar uma vaga. Além de rezar pra ser a gestante “perfeita”.

No posto de saúde, consegui ser atendida por uma médica anjo, que em 1 semana solicitou meu pedido e simmm! Partiu Unaerp.

Passei pelos médicos de lá duas vezes antes de parir. Me senti muito bem acolhida e confiante que eles não iriam mudar as minhas decisões. Que eram várias!

Antes de parir

Fiz um plano de parto que ganhei no curso de gestante. Lá havia anotado várias coisas do tipo:
1- Não tirem meu marido do quarto de jeito nenhum (é Lei tá gente, relaxa).

2-  Colocar uma luz mais baixa pra eu não ficar com tanta vergonha caso grite mais que o necessário ou aconteça alguma coisa (estejam cientes que pode acontecer de tudo, seres fisiológicos heim povo).

3 – Deixa rolae umas músicas pré-selecionas no Spotify.

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E os pedidos mais importantes pra mim:
• Nada de anestesia
• Nada de Ocitocina para induzir
• Nada de episiotomia, aquele famoso e antigo “pique”.

A não ser que eu esteja morrendo (parece exagero, mas não é) ou eu tenha pedido umas 500 vezes (isso irá demonstrar que eu quero mesmo).

P.S 1. Contei tudo isso pro Diogo ficar ciente.

P.S 2. Vou fazer um post falando apenas sobre o plano de parto.

E o parto como foi?

Passei as 39 semanas bem de boa. Cansada, o que é normal tendo em vista o tamanho da minha pança e o inchaço dos meus pés.

Estava trabalhando normalmente e passeando também. Aliás, eu estava certa que o Benjamin ia dar sinais lá pelas 41 semanas.

Tive uma consulta de rotina na quinta (26/09), só elogios pelos médico. Senti uma confiança enorme que oscilava com uma pontinha de medo. Agora era só esperar a vontade do Benjamin.

Nesse estágio as contrações de Braxton Hicks ou treinamento já eram familiares.

O tal tampão que tanta gente me perguntava já havia saído na semana anterior. Nada que me impedisse de seguir a vida normal.

No sábado (28/09) fiquei com uma vontade enorme de tomar um café da tarde especial.

Então, o Diogo me levou na minha cafeteria preferida. Foi uma tarde super tranquila. E eu mal sabia que o tranquilão aqui ia dar as caras horas depois contrariando totalmente as minhas estatísticas.

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No domingo (29/09) acordei um pouco indisposta, as contrações de treinamento já estavam acontecendo há algum tempo e na minha cabeça era exatamente as bonitas que estava me cansando.

Levantei tomei um belo banho e café. Mesmo com as dores, que diferente das de treinamento, estava me incomodando bem, resolvemos ir a missa.

Domingo comum por aqui, tanto que saimos da missa e fomos almoçar na minha sogra como de rotina. Mas eu pedi pra voltar mais cedo pra poder descansar.

Já em casa, assisti filme, tomei vitamina e as contrações aumentando gradativamente.

O Diogo foi monitorando tudo certinho do meu lado. Enquanto eu trocava mensagens com a doula que ia me instruindo.

Passei a tarde entre respirações, caminhadas pela casa e contrações ainda bem espaçadas.

No fim do dia as contrações estavam menos espaçadas, resolvi tomar um banho para amenizar a dor e deitar um pouco.

Não deu 4 minutos que estava deitada as náuseas vieram. Mal sabia que ia estava em trabalho de parto.

Diogo monitorou as contrações e pimba! 3 em 3 minutos. 18h30 Partiu maternidade.

Passei pelo médico e para a minha alegria estava com 7cm de dilatação e total trabalho de parto.

Do consultório fui direto pra sala de parto. O Diogo veio logo depois com as malas.

Durante todo o tempo fiquei do chuveiro, para a bola, para o banquinho, para os exercícios.

Esperávamos o restante da dilatação e as contrações iam aumentando loucamente.

Dói e anestesia não estava nos meus planos. E nesse estágio confesso que não precisava. Do meu ponto de vista dava para aguentar.

Nesse trajeto todo cheguei aos 10cm de dilatação. Eu já falei que dói? Tá! Muda isso para as dores inexplicáveis e intensas. Dá vontade de gritar ou encarar uma luta de UFC.

Um choque ia tomando meu corpo de tempos em tempos e eu que achava que seria aquela gestante tranquila, gritava de dor.

Sem vergonha alguma, aquele era o meu momento. Eu era a protagonista e era eu que faria o Benjamin nascer. Não era a médica ou outra pessoa, eles eram meus apoiadores. O mérito era “todo meu”.

Eu só conseguia pensar que a passagem Bíblica: “Multiplicarei os sofrimentos de teu parto; darás à luz com dores”, era muito real.

A equipe composta por uma médica obstetra Dra. Liz, dois médicos residentes, dois estudantes, um pediatra e enfermeiras era abençoada. Parece assustador ser acompanhada por esse monte de gente num momento tão íntimo. Mas a participação e cuidado de cada um deles foi fundamental.

A todo momento me falavam palavras de apoio, me ajudavam a fazer força e monitoravam o Benjamin com muita atenção. Uma paciência surreal!

Mas como nem tudo é perfeito. Eu fui ficando extremamente cansada e as contrações começaram a espaçar, o Benjamin coroava e eu não conseguia manter o fôlego e a força até a expulsão.

As dores eram intensas e eu comecei a achar que não daria conta. Pedi até a bendita cesária pra ver se ia. Ainda bem que ninguém me escutava.

Mas meus ouvidos estavam ótimos e eu conseguia ouvir o Diogo rezando ao meu lado, segurando a minha mão, me dando toda segurança através de gestos e palavras. A equipe médica também permanecia calma e me dizendo que estava indo bem. Me ensinando como deveria fazer. Essa cena eu nunca vou esquecer.

Porém, com a minha fraqueza aumentando e ainda sem conseguir parir, me lembrei do tal sorinho pesado, a famosa Ocitocina, não relutei e pedi!

Eu sabia que aquilo ia me ajudar, estudei bastante e na minha cabeça ela seria ótima para concluir a fase se expulsão.

As médicas conversaram e me deram uma dose bem pequena o suficiente para eu ir do céu ao inferno em segundos.

Aí o bicho pegou! As contrações passaram de minutos para segundos. Eu mal conseguia andar de uma sala para outra de tão intensas.

Faltava pouco para parir. Então Dra. Liz pediu para colocarem o oxigênio no meu nariz,  me deitou (o que não estava nos meus planos, mas foi ótimo) e me deu o cabo de guerra. Foi uma luta daquelas!

A cada contração eu puxava o cabo com toda minha força e gritava. Do outro lado conseguia ver a médica puxando com mais força ainda, descendo todo o corpo até o chão.

Meu corpo queimava por dentro e eu não sei dizer exatamente a hora que era ou quanto tempo passei ali.

Em um momento senti uma vontade enorme de gritar e expulsar o Benjamin.

Dito e feito! Em questão de segundos meu corpo respondeu meu sentimento e o Benjamin nasceu! Simples assim hahaha

Como num passe de mágica toda dor passou. Da barriga direto para meu colo. Do jeitinho que estava lá dentro.

Era a minha tão sonhada: Golden Hour”. Ainda estávamos ligados pelo cordão umbilical que pulsava aquele sopro de vida. Ele estava ali no meu colo, me olhando. Enquanto o pediatra e a enfermeira aguardavam com muita paciência eu entrega-lo para os primeiros cuidados.

O Diogo ali, rosto a rosto comigo. Nós,o silêncio e nosso filho…

Como Deus é pai!

Sem pique, sem anestesia, sem profissionais induzindo cesária, ao lado do meu marido, apenas com aquilo que pedi. Após 8h de trabalho de parto, com 39 semanas e 1 dia, Benjamin veio ao mundo às 3h33 do dia 30/09/2019, com 49cm e pesando 3,155kg. Meu bebê arco-iris ♡.

Surreal, sobrenatural? Não sei! Só sei que quando vi o Benjamin ali me olhando nos olhos eu esqueci toda dor.

Depois do restante dos procedimentos médicos, me levantei, tomei banho e fui para o quarto ficar com meu bebê que passava pelo pediatra na mesma sala que eu estava.

Realizada! Era assim que me sentia. Empoderada, feliz, protagonista, abençoada  e qualquer outra palavra que expressa alegria!

Dor? Sim, e no meu caso muita
Arrependimento? Nenhum, e se tiver a oportunidade vai ser normal de novo, para terror do marido!

“A mulher que está dando a luz sente dores, porque chegou a sua hora; mas, quando o bebê nasce, ela esquece a angústia, por causa da alegria de ter vindo ao mundo.” (Jo 16,21)

Mulheres não tenham medo! Façam as pazes com a dor que é parte do processo, mas não é o fim. A dor e o sacrifício são caminhos para o céu.

Eu sei que podemos escolher como queremos parir e que a cesária é sedutora. No entanto, se sua gestação permitir, ao menos tente usar seu corpo para parir naturalmente. Você consegue!

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Ah! O que eu mudaria nesse parto:

– Com a correria esqueci  de colocar as músicas para tocar.

– Ficaria mais nos exercícios passados pela doula para facilitar a saída do bebê.

– Tentaria parir na piscina.

Tudo bem, deixo essas questões para o próximo parto!

Ilustrações: Pinterest

 

2 comentários em “Meu parto, minhas regras

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