Cotidiano

Pedi demissão e agora?

O sábio filósofo, Teilhard de Chardin, cantou a bola bem cedo com o pensamento “nenhum homem é uma ilha” e eu percebi que também não sou. Durante os anos que trabalhei na revista literalmente vesti a camisa da empresa e defendi os propósitos como parte integrante daquele meio. Porém, um dia o propósito da empresa já não era igual ao meu e por mais que eu desejasse a empresa não mudaria porque os meus pensamentos não eram mais os mesmos.

No entanto, entre compreender e de fato sair de um lugar existe um longo caminho a ser percorrido. Por isso, a rainha das listas que vos fala atacou novamente. Coloquei no papel todos os meus valores, pensamentos para o futuro, as decisões e consequências.

Além disso, passei praticamente 1 ano pensando se sair era a melhor decisão e inconscientemente (ou não) tentando me integrar novamente aquele espaço. No entanto, minha ilha havia se movimentado e eu não conseguia mais me encaixar com as outras.

Um belo dia durante o meu trajeto até a empresa um filme passou na minha cabeça. Cheguei e comecei a trabalhar normalmente, mas em um certo momento respirei fundo e num acesso imediato de coragem pedi demissão.

Uau!! Alguns diriam. Já outros mandam de cara: “ficou louca de vez”.

A verdade é que falar que aquele não era mais o meu lugar foi um alívio e, depois de algumas conversas e opiniões as claras eu e a empresa entramos num acordo para que todos fossem felizes para sempre.

Claro que do dia que pedi demissão até o dia que sai de fato ouvi de muitas pessoas coisas do tipo “você estudou tanto e agora está jogando o diploma fora” ou “trabalho estável, salário bom, horário flexível e na sua área, o que mais você quer?”.

Aliás, o problema maior é realmente esse, o que eu quero? E antes que você desista eu sei exatamente o que eu quero e vou responder logo mais, mas antes quero mostrar que não sou a única a ter certos pensamentos.

Há um tempo lendo o boletim diário do LinkedIn me deparei com a seguinte colocação:

“Entendi que pedir demissão às vezes tem que ser como arrancar um band-aid. (…) na maioria das vezes, tem que ser de uma vez para ter coragem. Coragem de assumir os erros passados e os riscos futuros, coragem de assumir que onde você está você não é a melhor versão de você mesmo e, finalmente, coragem de buscar pelo ambiente onde você será mais facilmente essa versão”, Mariana Ferraz, engenheira ambiental.

Mariana descreveu exatamente o que passa em minha mente desde o dia que respirei fundo e tomei a coragem de arrancar meu band-aid e, consequentemente assumir a minha melhor e pior versão. Senti uma dorzinha sim, afinal foram quase oito anos, mas como diria a minha mãe “até uva passa”. Desculpa a piadinha!

E respondendo uma das questões acima: O que eu quero? Eu quero mais é me desprender da ilha e encontrar o meu lugar ao sol. Não quero ouvir a música do Fantástico e sentir que amanhã vou para a forca. Quero que meus valores e ideias estejam vivos em mim todos os dias ao despertar e mesmo que eu trabalhe em um lugar não muito legal ou um tanto burocrático eu sempre estarei insistindo na ideia de acima de tudo ser fiel àquilo que eu acredito.

O mais louco de tudo isso é que desde que sai da revista, há alguns meses, muitas. Muitas pessoas mesmo, me procuram contando como tem se sentindo infelizes nos seus trabalhos e como esse sentimento tem prejudicado todo o resto da vida delas.

No fundo eu fico triste, pois por muitos anos me senti feliz ali. Contudo, isso torna cada dia mais certo que as coisas precisam mudar para que empregado e empregador se sintam felizes no ambiente em que convivem e como resultando colham bons frutos para a empresa onde trabalham.

Enquanto profissional e entendo que também preciso me esforçar para tornar um lugar ideal para conviver. No entanto, será que as empresas estão dando uma chance para tornar o trabalho algo realmente legal para todos?

Você, empregador ou empregado, deixe nos comentários a sua visão sobre o mercado de trabalho atual e o motivo de tantas pessoas estarem insatisfeitas com a vida profissional. Vamos partilhar boas ideias, sugestões e conteúdos!

 

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