10 coisas que aprendi com o luto

Muitos de nós ainda acreditamos que as pessoas ao nosso redor vão nascer, crescer, amadurecer, envelhecer e apenas depois de todo esse processo que elas irão morrer. E com isso, não nos preparamos psicologicamente para viver as perdas que naturalmente acontecem nas nossas vidas.

Só que o que mais tememos acontece: a morte vem. E ela algumas vezes não bate à porta. No meu caso ela bateu. Em 2015 minha mãe foi diagnosticada com um câncer de mama raro, no auge dos seus 51 anos e cheia de planos para o que a vida ainda lhe reservava. Definitivamente, o câncer não fazia parte desses planos, mas após um exame de toque ele estava lá todo “aparecido”.

Eu, minha irmã e meu pai éramos parte do sonho de família feliz — aquela cena do comercial de margarina — e minha mãe se sentia muito realizada. Casa, comida e roupa lavada. Via estável e muito feliz. Meu pai conquistou uma carreira de anos na mesma empresa, nos dando tudo que era necessário. Eu seguia feliz na profissão que escolhi, minha irmã se preparava para morar no exterior e minha mãe era a dona de casa 100% realizada. Não tinha erro, era apenas viver.

Quando o câncer entra em uma família todo mundo sente o peso e, consequentemente, se esforça para que isso seja algo mais leve. Mudam-se os hábitos alimentares, os programas de televisão, os livros, horários, passeios e roupas. Todos buscam uma única meta: a cura. Ninguém pensa na morte (ainda bem!).

O tratamento da minha mãe durou mais tempo do que prevíamos, porém ela respondeu muito bem durante todo o processo. Apesar das dificuldades naturais da doença, tanto físicas quanto psicológicas, vivíamos felizes esperando aquele tsunami passar. E após alguns meses ele passou.

O diagnóstico de cura não havia sido apresentado, entretanto, minha mãe respondia tão bem a vida que estava levando que a cura em si era apenas uma questão burocrática na nossa cabeça. Tudo havia voltado ao normal, até o juiz tocar o apito para o segundo tempo.

Começa o 2º tempo do jogo

De repente a metástase nos encontrou num desses momentos alegres em família. O retorno da doença foi extremamente agressivo e rápido. Foram dias intensos na nossa casa, no hospital, na rua, no supermercado e em qualquer outro lugar que estivéssemos. Respirávamos com a ajuda de aparelhos e quase não tínhamos tempo para pensar racionalmente. Tudo o que estava em nosso alcance entregamos ali, durante as longas semanas que estivemos fielmente ao lado da dona do nosso lar. E no fim ela partiu.

É triste e dói sim. A morte requer de você algo que nem sempre temos, conhecemos ou sabemos lidar. E como num passe mágica — para algumas pessoas — esse “algo” a mais aparece. Alguns chamam de resiliência, mas confesso que depois de dois anos ainda não sei como intitular.

Mas como diria aquela sábia canção: “o tempo não para, não para não” e depois de algumas sessões de terapia, lágrimas e silêncio notei que eu havia me transformado em uma nova pessoa e que minha mãe havia deixado um legado maior do que ela mesmo poderia imaginar.

Conheça o legado da minha mãe

Durante toda sua trajetória minha mãe me ensinou muitas coisas, tanto naturais da maternidade quanto de sua personalidade. Todavia, durante o tempo em que esteve doente e após sua morte percebi que esse legado irá me auxiliar durante toda a vida. E quero dividir com vocês essa sequência para viver o luto com liberdade para choros de saudade.

1 – Viva o luto. A morte te deixa no chão, mas não tem lugar algum escrito que você precisa sair dele do dia para a noite. Chore, sofra e viva todo o momento necessário. Lá na frente você vai agradecer por ter passado por esse período.

2 – Tenha um tempo sozinho. A aceitação vem logo após a dor e por mais que seus familiares e amigos tentem te ajudar — o que é muito importante — você precisa ter um tempo a sós consigo mesmo.

3 – Não viva preocupado com os males que podem acontecer. Após uma perda acabamos nos tornando infelizes por preocupação e esse receio de perder algo causa uma dor semelhante à de já ter perdido. Você não precisa disso.

4 – Tenha fé. Compreender que existe algo ou alguém por você a quem você poderá recorrer sem ser julgada é ótimo para acalmar o coração.

5 – Encontre alegria nas pequenas coisas. Parece dica do livro de autoajuda e pode até ser, mas compreender a felicidade em momentos e atitudes simples abre nossos olhos para muitas alegrias que virão.

6 – Não se tranque para sempre. Tanto fisicamente quanto psicologicamente. Saia com amigos, família, namorado. Conheça novos lugares, tenha novos sonhos. Se movimente e compreenda o caminho que você ainda precisa trilhar.

7 – Relembre sonhos antigos e corra atrás deles. Focar em planos que estavam esquecidos na sua lista vai dar um gás para ir cada vez mais longe.

8 – Entenda que outras perdas podem acontecer e que você irá sofrer novamente. Mas para isso tenha determinação para enfrentar e vencer qualquer sofrimento.

9 – Não se atormente antes da hora. Quem passa os dias angustiado com o futuro esquece-se de viver o presente.

10 – E por último, mas não menos importante. Viva! A vida está aí para isso, então não desperdice com coisas mesquinhas. Aproveite cada segundo buscando a felicidade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s